domingo, 25 de novembro de 2012

Naná,





Ontem, saindo da estação Santa Cecília do metrô, a caminho de sua casa nova, pensava em duas coisas. Uma delas era você. A outra era a cidade de São Paulo.
Pensei (concluí o que já sabia, na verdade) que a cidade de São Paulo sempre me trouxe a sua imagem. Desde muito cedo, quando você ainda estava com o Antonio, e íamos todos para aquele velho apartamento no Anhangabaú passar noites bebendo vodka barata e jogando conversa fora, como uma versão decadente de um episódio de Seinfeld. O centro de São Paulo me trazia não a imagem do Antônio ou do Luis (alias, se me viesse a imagem de algum deles, confesso que talvez eu não soubesse reconhecer qual dos dois era), que eram os donos do apartamento. Tampouco me trazia a imagem da Isa, que morava em São Paulo também. Não. São Paulo sempre me lembrou você.
Não sei por que. Você, como eu, não nasceu aqui. Viemos de fora, subimos a serra com a mochila nas costas (não foi ouvindo Bittersweet Symphony como você queria, mas são coisas da vida), tentando desesperadamente percorrer essa distancia entre a vida mundana e repetitiva do Canal 3 e as promessas de aventura e independência de São Paulo.
Mas, enquanto você recebeu São Paulo com um grande abraço e um beijo na boca (pegando na bunda e tudo), eu fui receoso. Cheguei, tímido, andando curvado e assustado por grandes avenidas e viadutos, com medo de ser engolido por todo esse pavimento. São Paulo me assustava.
Você virou parte da cidade. Cruzava os camelôs e o trânsito com a maior naturalidade do mundo.
Acho que é por isso que a cidade de São Paulo me trás a sua imagem. Especialmente o centro. Os prédios de arquitetura antiga, o cheiro cinza de churrasco barato, os velhos fumando e bebendo no pé da calçada, as filas nas lotéricas e os elevadores antiquados. Tudo isso me trás você a cabeça, porque é tudo que, em São Paulo, me fascinava tanto quanto me assustava. De muitas formas diferentes, eu ainda sou aquele menino da praia, acostumado a andar quatro quadras para chegar em qualquer lugar, olhando assustado para todos esses carros e esses prédios, sem entender muito bem como funciona a vida aqui nessa cidade esquisita. Mas, quando penso em você, e na relação que você tem com São Paulo, me acalmo. Me trás uma certa paz saber que você entende essa cidade, que você ama essa cidade, e que você é irremediavelmente parte dela.
Minha relação com São Paulo talvez nunca vá ser perfeita. Não vejo passando a vontade incontrolável que eu tenho, todas as sextas-feiras, de pegar o carro e descer a serra. A visão da Avenida Bandeirantes se sobrepondo a Ricardo Jafet nunca vai me trazer o sorriso no rosto que me trás a velha escultura do peixe na entrada de Santos. Mas tudo bem. Tudo bem porque, apesar de todos os nossos problemas, eu e São Paulo aprendemos a nos entender. Estamos em paz um com o outro. Temos uma amiga em comum.


Feliz aniversario, Ná. =)

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