sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sophia e as Estrelas

Mais um da série "Aventuras de Sophia". Talvez eu publique um livro.

Não é meu melhor trabalho, mas, para um poeta semi-bebado as 4 da manhá, é uma vitória.


Foi uma fria noite de domingo que Sophia se apaixonou por uma estrela. Sem conseguir dormir, olhou para o céu e, naquele sem fim de estrelas, encontrou uma que parecia brilhar de uma forma especial, só para ela. E se apaixonou. Jurou amor eterno aquela linda estrela. Naquela noite, não dormiu. Pensava na estrela, deitada na cama, e, de vez em quando, ia até a janela e lá ficava, mirando o céu, namorando seu grande amor. Passaram-se dias, meses, e Sophia não pensava em outra coisa senão naquela estrela. Passou a odiar a manhã e a tarde. Contava os minutos para a noite chegar e poder encontrar-se novamente com seu grande amor. E como era correspondida! A estrela parecia brilhar mais a cada noite, iluminada por seu novo amor. Tinham encontro marcado todas às noites, às dez e meia, quando Sophia ia dormir, e, por muito tempo, a estrela não faltou em um encontro. Sophia também não.



Uma noite, a estrela não apareceu. Sophia esperou ansiosa, como sempre, o dia acabar. Mas chovera a tarde toda e de noite o céu surgiu, carregado de nuvens, e nada da estrela aparecer. A pobre menina não dormiu a noite toda. Levantava-se de dez em dez minutos para olhar a janela, esperando a estrela que não aparecia. Mas a manhã veio e a estrela não apareceu. Sophia dormiu, e a luz do sol da manhã iluminou seus olhos manchados de lagrimas, segundos antes de eles se fecharem.



Passou-se uma semana, e nada da estrela aparecer. Até que uma noite, Sophia, distraída, olhou para o céu. E lá estava sua linda estrela. E Sophia sorriu. Mas já não era o mesmo sorriso. E a estrela brilhou. Mas já não era o mesmo brilho.



Mais algum tempo se passou. A estrela faltou em alguns encontros. Sophia faltou em outros. Até que uma noite uma coisa muito estranha aconteceu. Sophia olhou para o céu e percebeu que ele estava cheio de estrelas. E todas elas brilhavam. Foi neste dia que Sophia percebeu que sua estrela não era especial, não brilhava mais do que as outras. Era apenas uma estrela, no meio de tantas outras. E Sophia se apaixonou novamente. Por outra estrela, esta sim, muito mais brilhante, muito mais bonita. E Sophia esqueceu de seu primeiro amor.



E assim foi para o resto de sua vida. Somente no fim, quando já tinha amado todas as estrelas do céu, foi que Sophia percebeu que buscava nas estrelas um brilho que não existia senão dentro dela. E Sophia entendeu finalmente o que é o amor.

Um comentário:

  1. porra, o fim tá bom, menino! não tava gostando do texto, mas o fim salvou, me fez gostar do texto, bom bom

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